12/03/2009

Um Carnaval diferente...


Nunca fui muito fã dos Carnavais de rua, melhor dizendo, dos nossos Carnavais. Falta-nos o calor, os corpos suados, o samba genuíno e espontâneo que uma vez escutei numa rua de Olinda, no nordeste brasileiro. Falta-nos o despreconceito, o pé no chinelo ao lado do colarinho branco e nó de gravata.

Num Carnaval, fui convidado para uma festa privada, num ambiente selecto, um pequeno grupo de amigos da anfitriã, na sua casa. A única obrigatoriedade era irmos mascarados. Embora não conhecesse muito bem os restantes convidados, era muito amigo da anfitriã e só por esse facto, aceitei o seu convite sem hesitar. Não demorei muito a escolher a minha máscara, esse ano seria de Highlander, o guerreiro das terras altas da Escócia.

Para evitar imprevistos, (um furo no pneu, por exemplo), combinei que só iria pôr o kilt quando chegasse a sua casa. Chegando lá, a festa já tinha começado, os convidados mascarados e animados conversando alto entre eles.

À porta F. recebe-me, com uma gabardine vermelha, com botas de cano alto pretas, e uma máscara veneziana em tons vermelhos e dourados, com uma mão agarrava num chicote que completava a sua fantasia misteriosa.

Beijei-lhe a mão, porque a sua cara estava coberta com a máscara, deixando apenas o queixo e a boca exposto, e segredei-lhe ao ouvido: “- Estás tesuda…”. F. sorriu e seguiu-me com o seu olhar enquanto me dirigi à casa de banho para me fantasiar.

Vesti o meu kilt, pintei a cara de azul com uma cruz branca (as cores da bandeira da Escócia) e uma camisa branca justa ao corpo.

Cheguei à sala, cumprimentando cada um dos convidados, todos tinham uma fantasia diferente, P. vestia uma túnica castanha com um cordão branco em volta, T. um hábito de freira, P. coberto de cabedal como um cowboy do asfalto, C. de criada com uma mini saia bem sugestiva e M. coberta de seda e lantejoulas, encarnava numa sexy dançarina do ventre.

Obviamente que ninguém ficou indiferente ao meu traje, os olhares das meninas presentes, iam em direcção às minhas pernas e ao kilt e quase lhes adivinhei os pensamentos, mas logo uma delas tentou tirar a curiosidade: “- Os verdadeiros escoceses não usam nada por baixo…”, de seguida a gargalhada foi de uma cumplicidade geral, quase apostava que cada uma delas tinha essa afirmação na ponta da língua.

Nunca revelei a verdade, mas insistentemente tudo servia de piada e com o arrastar da noite virou o assunto principal da festa. Estava um bom ambiente e todos estavam divertidos e sem grande discussão, acordámos todos em ficar por ali.

Pouco tempo depois M., a dançarina do ventre, foi a primeira a sair e por muito que insistíssemos para que ela dançasse um pouco, a verdade é que nunca o fez.

Um pouco mais tarde, o padre e a freira também nos abandonaram, dizendo que tinham umas missas pouco católicas ainda para rezar antes de dormir.

Sobrámos 4, mas já se denunciava o fim da festa, resolvemos jogar cartas e beber mais uns copos, depois de uma hora de batota, resolvemos dar por terminada a festa.

Pedi à anfitriã que me deixasse usar uma ultima vez a casa de banho, para tirar a pintura da cara e a fantasia, o casal disse que ia andando, desculpando-se com o cansaço e uns copos a mais, despedi-me deles junto ao hall de entrada juntamente com a anfitriã.

Ao dirigir-me à casa de banho, F. perguntou-me: “ – Agora que estamos só nós dois, diz-me o que tens debaixo do kilt?”

Olhei para trás, na sua direcção e perguntei-lhe: “ – Estás assim tão curiosa?”

“ – Desde que saíste da casa de banho…” – respondeu-me, mordendo o lábio.

“ – Então, vamos fazer uma brincadeira… Tens uma venda?”

“- Hummm… tenho… porquê?”

“- Vai buscá-la e não perguntes mais nada!” – respondi-lhe.

F. ausentou-se por breves instantes, indo ao seu quarto, trazendo consigo uma fita de prender o cabelo, castanha escura.

“-Serve?” – perguntou.

“- Perfeitamente!” – respondi.

Retirei-lhe a venda das mãos e coloquei as mão sobre os seus ombros, fazendo com que ficasse de costas para mim, cuidadosamente vendei os seus olhos e encaminhei-a para a sala, sentando-me no sofá.

F. ficou diante de mim em pé, imóvel e sem saber o que fazer.

“- Ajoelha-te e satisfaz a tua curiosidade, mas não podes tirar a venda.” – disse-lhe.

F. baixou-se cuidadosamente, não tendo nenhum ponto visual como referência, com a ajuda das suas mãos foi apalpando terreno.

Descobriu o meu joelho, onde se apoiou para se baixar diante de mim. Foi tocando-me numa das pernas e subindo em direcção ao meu sexo. À medida que se ia aproximando, F. revelou um sorriso promíscuo, a sua expressão mostrava um prazer intenso naquele desafio inesperado. A sua respiração aumentava de frequência a cada palmilhar das suas mãos ao longo das minhas pernas.

Confesso que aquela hesitação de F. me excitava e facilmente, o meu pau ficou duro, mesmo antes de ela o tocar. Dava a impressão que ela demorava propositadamente e por diversas vezes recuava, mesmo antes de tocar no meu sexo e quando o fazia, sorria, fazendo um jogo de sedução com as pontas dos seus dedos, brincando ao gato e ao rato.

Quando me tocou, não o fez delicadamente, porque já se apercebera que o meu pau a esperava duro e agarrou-o firmemente, fazendo um sorriso de satisfação por aquele esperado encontro com o meu sexo.

Acariciou-o de ponta a ponta, sentindo-o através do tacto, cada centímetro com a sua mão trémula e suada pelo nervosismo e excitação.

Sem que o esperasse, F. mergulhou a sua boca no meu pau, dando uma chupadela vigorosa, deixando-o bem molhado. Repentinamente, levantou-se e tirou a venda. Olhando fixamente nos meus olhos, despiu a sua gabardine vermelha lentamente num ritmo sensual, revelando apenas uma lingerie preta.

“ - Agora é a tua vez…” – desafiou-me. “ - … põe a venda!”, atirando-a para o meu colo.

Acedi ao seu desafio e coloquei a venda nos meus olhos, enquanto F. sentou-se no sofá ao meu lado.

“ – Quero que me explores, usando apenas a boca e a língua!” – ordenou.

Com a boca, fui procurando uma parte do seu corpo, tocando-lhe com os lábios no joelho. Tinha achado um ponto de partida para a minha exploração que ela tanto desejava e eu também queria.

Beijei-lhe o joelho, e com a língua fui trilhando um caminho em direcção ao seu ventre, percorri os limites das suas cuecas, fazendo com que F. soltasse uns suspiros quanto mais me aproximava da sua vagina.

Alinhei no mesmo jogo de F., em ténues avanços e muitos recuos, deixando-a inquieta. A sua respiração alterava-se claramente, como que me pedindo mais do que aquilo que lhe estava a oferecer.

“Põe-te de quatro…” – segredei-lhe ao ouvido, senti-a mexer-se em cima do sofá, acartando a minha ordem sem dizer uma palavra. Aproximei-me das suas nádegas com a boca, passei a língua numa delas pelas suas curvas, percorri um novo caminho junto dos limites mínimos do fio dental.

Sem que ela esperasse, passei a língua no seu sexo e de seguida suguei-a, por cima das cuecas, fazendo com que soltasse um suspiro abafado. Mesmo não estando nua, senti-a bem húmida e o seu sabor era bem agradável.

Inspirei profundamente. O cheiro a sexo era intenso, as feromonas irresistivelmente pairavam no ar, dando um pouco mais de excitação já àquele clima carregado de tesão.

“ – Pára!” – exclamou alto.

De repente, F. invadiu-me com as suas mãos, despindo-me a camisa e de seguida tirou-me o kilt, deixando-me todo nu diante de si. Antes de tirar a venda, já F. me fazia uma oral, desta vez com uma vontade quase sôfrega de me dar e ter prazer.

Tirei-lhe o soutien e as cuecas e penetrei-lhe com dois dedos, anteriormente encharcados na minha saliva.

Era F. que impunha o ritmo com a sua boca, enquanto a acompanhava com os meus dedos dentro dela. Pouco tempo depois, o corpo de F. estremecia, num orgasmo, deixando os meus dedos encharcados.

Peguei nela e de quatro penetrei-a até ao fundo, F. acompanhou o movimento com as suas ancas, a um ritmo forte e intenso, cheio de tesão. Pedia-me para ir mais fundo, apesar de ambos sabermos que não era possível.

Com uma mão, agarrei-lhe os cabelos e puxei-os para mim, uma coisa que F. já me tinha confidenciado que a excitava, numa das longas conversas que tivéramos noutros tempos.

“ - Vamos para a banheira…” – sugeriu.

Segui-a pelo corredor, ela ligou a água que corria ainda fria, com uma das mãos, apertei-lhe um dos seus seios e deixei que a outra escorregasse para o seu sexo, acariciei-lhe o clítoris, F. respondeu agarrando o meu pau com firmeza, sacudindo-o lentamente, enquanto nos beijámos num linguado bem molhado.

Com o vapor de água envolvendo toda a casa de banho, F. entrou na banheira virando-se para a parede apoiando ambas as mãos nesta. Empinou o seu rabo, fazendo o convite para que a penetrasse de novo por trás.

A água quente escorria pelos nossos corpos e a pintura que tinha na cara diluía-se pelo ralo da banheira. Segurei-lhe as ancas, impondo o mesmo ritmo forte que tínhamos imprimido no sofá.

“ – Não pares agora, enterra-me com força…” – segredou ela.

Acedi ao seu pedido, sabendo que estaria a vir-se brevemente, agarrei-lhe firmemente de novo nos cabelos, enquanto que com a ponta dos dedos esfreguei o seu clítoris que estava inchado prestes a explodir num novo orgasmo.

“ – Vem-te comigo!” – disse ela, no meio de um gemido.

Logo de seguida, ambos nos viemos, debaixo daquela corrente de água quente.



Fotografia: Ricardo Jorge Miguel Soares@olhares.com

Resultados da Sondagem

Em Janeiro acrescentei um elemento novo a este layout, por curiosidade gostava de saber a opinião dos que se sentam nestesofavermelho sobre as histórias aqui publicadas.
Curiosidade por saber qual a história preferida, curiosidade de saber o que vai nas preferências de quem (me) visita.

Acabei por não chegar a nenhuma conclusão, porque a participação foi fraca e confesso ter tido maiores expectativas. Desiludido? Não!
E também não critico, porque sinto no meu intimo que não tenho que criticar, desde o inicio deste blog, a única exigência que pedi, foi que se instalassem e ficassem à vontade. E foi isso que todos têm feito. Mudei de sofá, porque de vez em quando devemos mudar alguma coisa mas espero sinceramente que as mesmas pessoas que já o frequentam, voltem sempre.
Não procuro popularismos, fico feliz se essas mesmo cinco pessoas que votaram continuem a voltar cá com a mesma postura que tiveram desde a sua primeira visita (embora saiba que são muito mais que cinco pessoas. Ser um blog popular não está de certeza nos meus objectivos. E não foi com esse intuito que criei este blog, quis dar algo sem pedir nada em troca, oferecer fantasias que já foram realidades para mim e outras que não passam de meras fantasias. Mas para mim o importante é partilhar.

Em conversas posteriores, com alguém que frequenta nestesofavermelho, foi-me dito que esse tipo de iniciativas não têm lugar neste blog, porque a maioria de quem por aqui se senta, não gosta de responder a sondagens. Vêm com o intuito de sentir a pele do sofá e deliciar-se com uma história.
Na altura, não compreendi essa crítica (positiva e construtiva), mas hoje começo a entender e até a concordar. Obrigado R. por me mostrares outra perspectiva.

Como vou retirar os resultados da sondagem, fica para a memória a publicação dos resultados neste post, sendo assim:
"Qual a tua história preferida das que já foram publicadas?"
(5 votos apurados)
"Gostei de todas." (40%)
"Estacionamento proibido" (20%)
"Numa noite fria de Inverno..." (20%)
"Não gostei de nenhuma" (20%)

Só me resta agradecer aos que votaram.
Obrigado mesmo! Voltem sempre!

22/01/2009

Sondagem >>>

Tenho feito umas mini-obras aqui no nosso cantinho.
Mudei o papel de parede e um sofá (vermelho) novo, o outro já estava muito gasto de tanta gente a vir até aqui.

Juntei no lado direito, uma sondagem à cerca do que por aqui se contou, espero que participem. Não custa nada, não precisam de trazer nenhum documento, nem se precisam de recensear na junta de freguesia.

Este blog vai a votos por isso toca a usar o vosso direito cívico como frequentadores deste blog!

21/01/2009

Duas telas de computador...




Duas telas de computador… ligadas virtualmente… uma cidade a adormecer… lua cheia num céu negro… gorda… gulosa… convidando a loucuras… o lado selvagem à flor da pele… vejo-te online… hesito… falas comigo… como se tivesses adivinhado os meus pensamentos… respondo-te timidamente… com delicadeza… sei que aprecias isso… eu também… mas hoje é noite de lua cheia… deixas de parte os cavalheirismos… e confessas… “apetece-me foder”… o sentimento é recíproco… “a mim também” – respondo-te… silêncio… a conversa parece ter morrido por ali… mas apenas por uns instantes… voltas à carga… “estou molhada” – revelas-me… excitas-me… sinto o meu caralho duro… a pulsar dentro das calças… estou cheio de tesão… imagino-te com os calcanhares apoiados na mesa… recostada sobre a cadeira… as pernas afastadas… uma mão dentro das cuecas… pretas… fio dental… com a outra, acaricias um dos seios… que espreita do teu sutiã preto… imaginas-me nu… fechas os olhos… vês-me tocar-me diante de ti… molhas dois dedos com a tua saliva… acaricias o teu clítoris inchado… teso… na ponta dos teus dedos encontras a minha língua… que te chupa e lambe a um ritmo frenético… gemes… baixinho… enquanto tens o primeiro orgasmo da noite… queres parar… já sentes o fogo que arde dentro de ti, mais brando… mas o efeito lunar é fodido… deixas cair a cabeça para trás… enfias dois dedos dentro de ti… os mesmos que te levaram ao teu primeiro orgasmo… imaginas o meu pau a comer-te… levas à boca a outra mão… chupas o polegar… como se tivesses a fazer-me um broche… num vai e vem intenso… profundo… vens-te de novo… mas continuas… estás fora de ti… insaciável… queres que me venha… mas não para já… continuas a chupar o polegar… com vontade… com tesão… que se mexe irrequieto… como te querendo foder a boca toda… os dois dedos enterram-se cada vez mais fundo na tua cona… dás um grito… e vens-te mais uma vez… tens a sensação que tivemos um orgasmo ao mesmo tempo… suada e satisfeita dessa tua fome… sorris e abres os olhos… prostrada na cadeira… diante da tela do teu computador… estás sozinha… são apenas duas telas de computador… ligadas virtualmente… e uma cidade já adormecida… soltas uma frase… em surdina… “- ... Era bom que estivesses aqui!”

Fotografia: gettyimages.com

Novidades

Não tenho o hábito de escrever vários posts de rajada, gosto de publicar um post de vez em quando, porque gosto de apreciar cada história que precisa do seu tempo para ser apreciada.
Nunca foi meu hábito e pessoalmente não gosto da inundação de posts, porque o meu objectivo para este blog nunca foi esse.
Prefiro escrever pouco mas bem, ao invés de todo os dias inventar histórias dando a uma banalidade de posts.

Para 2009, estou a pensar colocar este blog mais participativo, através de desafios e outras iniciativa, mas para isso preciso da vossa ajuda, porque sozinho não o vou conseguir.
É uma ideia que já anda a amadurecer na minha cabeça faz algum tempo, quero alargar o tipo de conteúdo, porque penso que irá enriquecer mais ainda este blog.

Espero de vocês o mesmo que vocês esperam de mim, uma partilha sem esperar nada em troca, sem ser essa mesma troca.

Brevemente postarei iniciativas.

Pedido de desculpas

Tenho estado ausente deste blog, não por falta de inspiração ou de não querer relatar outras histórias. De certa forma penso que tenho desiludido a quem se vem sentar neste sofá vermelho, que têm crescido de dia para dia, mas por motivos de força maior não pude vir aqui, nem de espreitar os outros blogs que tanto admiro. Espero agora ser uma visita mais frequente e espero que a vossa também o seja.

Obrigado pelas vossas visitas e pelo interesse demonstrado até agora, os vossos elogios demonstrados pelos vossos comentários têm sido uma força para poder continuar aqui a escrever.

Desejo, embora tardiamente, um grande 2009, para vocês que são gigantes pela forma como carinhosamente acolheram este nosso cantinho na blogosfera.

Beijos, montes deles e aquele abraço.

24/11/2008

Numa noite fria de Inverno...


O Inverno convida a encontros dentro de casa, fugimos do frio que aperta lá fora, para nos refugiarmos no calor de uma sala, de um grupo de amigos. Apreciar esses momentos é algo que a vida nos pode trazer de melhor…

Num Inverno não muito distante, combinou-se um jantar na casa de um casal amigo. O pacto foi selado com a promessa que levaria uma companhia. Na altura, convidei uma amiga que esta envolvido numa relação descomprometida.

R. é uma mulher fascinante em todos os sentidos, apesar da sua beleza exterior ser mais que óbvia, a sua simpatia e o seu modo de estar na vida, era a companhia ideal para aquele jantar.

À hora combinada, entrámos na casa do casal anfitrião e pusemo-nos confortáveis, deixando os pesados sobretudos no cabide do hall de entrada.

Jantámos sem demoras, numa conversa entre amigos sem o tom cerimonial de um qualquer jantar formal.

Ficámos um pouco mais, sentados à mesa, contando histórias mundanas e peripécias da vida, assuntos normalíssimos, que fazem parte de todas as conversas entre amigos.

Para fechar aquela bela refeição, dirigi-me à varanda para fumar um cigarro, sendo acompanhado pelo anfitrião. Entre duas passas no cigarro, ele confessou-me, sem grandes rodeios, que se tinha sentido atraído por R.

Aquela revelação, não me tinha causado espanto, tinha a consciência do aspecto exterior de R. aliado à sua simpatia, não deixava qualquer homem indiferente. Até já me tinha questionado por repetidas vezes, o que R. teria visto em mim, o que a minha pessoa a atrairia tanto…

Respondi-lhe: “-É normal, só um cego é que não se sentiria atraído…”

Terminámos o cigarro e dirigimo-nos à sala, onde se encontravam R. e D., numa conversa típica de mulheres enquanto desfolhavam uma revista de imprensa cor-de-rosa. O meu amigo interrompeu-as discretamente e chamou a sua companheira à cozinha, onde conversaram por alguns momentos.

Eu e R. ficámos na sala, trocando olhares cheios de desejo e cumplicidade. Sabíamos que saindo dali, teríamo-nos um ao outro sem quaisquer constrangimentos.

Aquele clima sexualmente tenso foi interrompido pela chegada do casal de regresso da cozinha. D. tomou a dianteira do seu companheiro que a seguia, diante de nós, fixou-me os olhos e disse: “- Sei que o que vamos pedir é um pouco estranho e estejam à vontade para dizer que não…”. No seu tom de voz, notava-se um pouco de nervosismo, mas ao mesmo tempo, denotava-se firmeza de quem sabia o que queria…

Toda a minha atenção fixou a sua boca, enquanto cada palavra saía da boca de D. “ – … já tínhamos falado sobre isto entre nós, e queríamos experimentar uma coisa nova, um swing com vocês. Não pensem que já tínhamos planeado isto, para esta noite…”

Enquanto D. se afogava em floreados e se afastava daquele discurso tão directo, eu e R., trocávamos olhares surpresos, não pelo assunto em si, mas pela forma directa como D. o abordou.

Depois de um momento constrangedor, em que sinceramente não sabia o que dizer, o silêncio foi quebrado por R., dizendo: “- Eu alinho! È uma experiência que já me tinha passado pela cabeça e esta noite tornou-se numa oportunidade perfeita!”

Reagi com uma estrondosa gargalhada, para disfarçar o meu nervosismo e incredulidade, mas logo depois recompus-me e com o ar mais envergonhado do mundo interpelei D.: “ – Mas como queres…”. Fui interrompido na minha pergunta, D. pegou-me na mão e dirigiu-me atrás dela para o seu quarto.

Passando pelo hall de entrada, olhei para o cabide onde repousava um chapéu de cowboy, do qual já tinha feito piadas sexuais, numa visita anterior. Peguei no chapéu e levei-o comigo para o quarto.

Sem grandes cerimónias, D. empurrou-me para a cama e arrancou-me o chapéu das mãos, colocando-o na sua cabeça e ficando em pé diante de mim.

“- Hoje não quero barreiras nem tabus. Esta noite, apenas quero tudo menos fazer amor…” – disse, enquanto desapertava botão a botão a sua blusa, revelando um sutiã preto rendado.

Sentei-me diante dela na borda da cama e peguei nos seus seios com ambas as mãos, desviando o sutiã, enquanto expunha os seus mamilos erectos, dos quais me deliciei neles.

D. gemia baixinho e ao mesmo tempo proferia pequenas palavras soltas: “ – isso… chupa-me…morde-os…”

Puxou-me a camisola, trazendo com esta a t-shirt, deixando exposto diante de si o meu tronco nu. Parou por momentos, sorrindo, empurrando-me para trás, obrigando-me a deitar na cama.

Lentamente, sentou-se sobre mim, e beijou-me os mamilos enquanto que com uma mão retirou-me o cinto e de seguida, desabotoou-me as calças, sem pressas, a um ritmo muito sensual.

Foi descendo o meu tronco até chegar ao umbigo, demorando-se por ali, depois foi descendo em direcção ao meu ventre, puxando os meus boxers para baixo, deixando o meu membro erecto exposto à sua mercê.

Olhou para mim, com um sorriso maroto: “-Estás todo depilado… tal como te tinha já imaginado!”, antes de mergulhar a sua boca no meu sexo.

Fez-me um belo sexo oral, aplicando-se tão bem a cada chupadela, saboreando o meu suco, que quase me vim naquele momento.

Despi-lhe as calças e as cuecas, de uma forma atabalhoada e pedi-lhe que a deixasse chupar ao mesmo tempo que ela me fazia a mim. Aquele sessenta e nove tornou-se numa luta de línguas famintas por dar o maior prazer simultaneamente.

Disse-lhe: “-Estou quase a vir-me…”. D. sorriu de novo e levou o seu indicador à sua boca, fazendo o sinal para me calar, enquanto que com a outra mão me acariciava vagarosamente o meu pau, e passava com a língua em todo o comprimento do meu membro que pulsava, cheio de tesão. Com calma, foi mantendo a tesão no ponto certo.

Sentou-se em cima de mim e deixou-se penetrar num vai e vem lento, esperando pacientemente que eu controlasse o orgasmo. Sentindo-me de volta no controlo da situação, peguei-lhe nas ancas e começámos a fazer movimentos mais rápidos. Ambos estávamos em êxtase, mas com a consciência que os outros dois estariam num estado eufórico semelhante ao nosso, numa outra divisão daquele apartamento.

Com esse pensamento, empurrei-a fora de mim, encostando-a à parede defronte da cama, o seu corpo ficou refém entre mim e a parede, de costas para mim, levantou uma perna, apoiando-a num banco que jazia por ali, metendo o meu pau dentro dela. Deixando-se esmagar pelo peso do meu corpo a cada penetração, D. soltava gemidos de prazer.

Segredei-lhe: “- Estás a pôr-me louco com esse chapéu! Já te tinha fantasiado assim…”

“- Eu também!” – soltou D., mordendo o lábio de prazer.

Continuámos naquela posição, a um ritmo mais rápido, quase incontrolável. Os nossos corpos suados e quentes entravam em contacto com aquela parede fria. Sentindo que não ia aguentar muito mais, saí dentro dela, D. prontamente se apercebeu do orgasmo iminente, deitando-se na cama, ordenou: “ – Vem-te no meu peito.”

Subi para cima dela, encostando o meu pau no seu peito e vim-me. D. esmagou os seus seios nele e fez-me uma espanholada, prolongando o meu prazer orgásmico.

Caí para o lado esgotado, deitando-me ao lado dela, ela sorriu e pediu-me com uma voz dócil:

“- Ainda aguentas chupar-me até me vir uma última vez contigo?”

Acedi com a cabeça e chupei-a com vontade enquanto ela acariciava o seu clítoris. Pouco tempo depois todo o seu corpo estremecia, denunciando o orgasmo.

Olhámos um para o outro, sorrindo. Sendo interrompidos naquela troca de olhares pelo barulho da porta do quarto a ser aberta lentamente. R. surgiu toda despida sorrindo.

“ – Posso-me juntar?”

“ – Claro que sim!” – respondeu prontamente D.

“ – O teu namorado contou-me da tua outra fantasia e eu aceitei…” – disse R., enquanto se dirigia para a cama.

Sem entender nada do que se passava, observei aquele diálogo e as suas trocas de olhares.

R. deitou-se na cama onde estava D. esperando-a, ignorando completamente a minha presença, começaram a beijar-se. Devagar levantei-me da cama e dirigi-me para um canto do quarto.

Ambas olharam para mim com um sorriso cúmplice. Trocaram carícias entre elas, de uma forma muito sensual, enquanto as observava.

Rapidamente, o meu pau voltou a ficar duro e comecei a acariciá-lo devagar ao ritmo da troca de carícias entre elas. Ainda estava confuso com o que via diante de mim, aquela experiencia tornou-se muito intensa e nunca tinha presenciado nem vivido algo tão tenso sexualmente como aquilo. Tinha sido apanhado completamente desprevenido desde o primeiro minuto que tinha entrado naquele apartamento.

Nessa noite, vim-me pela segunda vez, enquanto elas se fundiam num sessenta e nove sensualíssimo.

Fui pegando nas minhas roupas e dirigi-me para a casa de banho, fechando a porta do quarto por trás de mim, deixando-as gozar aquela experiência sozinhas.

Quando saí da casa de banho, fui à varanda onde o meu amigo se encontrava fumando pacificamente o seu cigarro.

Fumámos ambos os cigarros, sem trocar uma palavra, ambos estávamos numa outra dimensão e ainda não tínhamos voltado à realidade.

Mais tarde, senti um toque ao de leve no ombro, R. surgia nas minhas costas, já com o sobretudo vestido. Dei uma palmada no ombro do meu amigo, despedindo-me dele. R. piscou-lhe o olho e sorriu enquanto nos dirigíamos à porta de casa.

Entrei no carro e confessei a R.: “ – Nunca pensei que isto poderia acontecer… foi surreal…”

“ – Do outro mundo…” – rematou R., enquanto nos olhámos e soltámos uma gargalhada cúmplice.

Foi uma experiencia única, R. nunca mais viu o casal e eu, até aos dias de hoje, frequento a casa destes meus amigos, com a mesma frequência que o fazia anteriormente a este acontecimento.

Nunca abordámos o que se passou naquela noite fria de Inverno e todos guardámos boas recordações, sem contudo a nossa relação de amizade tenha sido beliscada por aquela experiencia.


Fotografia: Gabriela Cravo e Canela@olhares.com

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