23/07/2008

Café forte


Sempre gostei de jogos, principalmente aqueles que envolvem homens e mulheres com uma forte carga de sensualidade.

Estou convicto que a mulher é um ser vivo carregado de sensualidade, independentemente da sua forma ou beleza, todas elas têm essa “arma” intrínseca, que nós homens simplesmente não têm.

Não fossem os preconceitos e tabus há muito enraizados na nossa sociedade e os joguinhos sensuais seriam uma coisa banal no nosso dia-a-dia. Mas assim não o é, e o facto é que há poucas mulheres que usam essa vantagem… naturalmente.

Basta um sorriso, um olhar, um afagar de cabelo ou um simples gesto calculado, mas ao mesmo tempo despretensioso é tudo para derrotar um homem nesse jogo.

Num dia de Verão, fui até ao “meu” café do costume para o ritual diário, um café e rabiscar algumas ideias novas no meu moleskine. A minha mesa preferida estava desocupada, onde me sentei e pedi a minha dose diária de cafeína, alheio ao que se passava nas mesas em volta.

Bebi o café em três goladas e debrucei-me sobre o meu caderno preto de tamanho A6. Rapidamente fui preenchendo as suas páginas outrora brancas com ideias novas, nesse dia sentia-me criativamente inspirado. Tinha que aproveitar esse jorro de ideias ou então poderiam ficar esquecidas no tempo.

Notei algum desconforto, algo fugia àquele hábito rotineiro. Apurei o meu ouvido, quem sabe seria a música diferente dos outros dias. Mas não, nesse dia como em tantos outros, saia das colunas um som agradável de uma bossa-nova, intercalado com umas faixas de música lounge.

Sem levantar os olhos, resolvi voltar àquele processo criativo efervescente de onde surgiam ideias sob forma de rafts mentais, que logo transpunha para as páginas do meu caderno preto. Sorria para este, por causa do prazer de ver ideias novas a nascer em catadupa e com esse sorriso rasgado levantei os olhos da mesa. Em frente, estava uma mãe uma filha sentadas, foi então que reparei a causa daquele desconforto, ela olhava fixamente para mim. Senti de imediato um arrepio, o seu olhar era penetrante.

Ela era morena, bonita. Mas sem ser exageradamente vistosa, era uma beleza simples sem ser um produto artificial dos cosméticos. Tinha uns 27 anos, revelando naquele olhar fixo em mim, muita maturidade.

Ficámos a olhar fixamente um para o outro, sem desvios de olhar, sentia que tinha começado um jogo para o qual tinha sido desafiado, daqueles que começam numa troca de olhares.

Nunca desviei os olhos, nem os queria desviar, afinal o jogo ainda ia no início e não é todos os dias que temos desafios como este!

Confesso que o desconforto era cada vez maior, ela tinha um olhar penetrante que me despia a alma. À minha frente estava uma mulher que sabia o que fazia e principalmente o que queria que apenas o acaso (como mais tarde iria me aperceber) nos tinha juntado naquele café num dia quente de Verão.

A sua face mostrava vincadamente um vermelhão, não de pudor mas de um dia passado na praia. Enquanto continuávamos a olhar fixamente um para o outro, reparei que ela descruzou as pernas e lentamente as abriu, esperando uma reacção minha. Ela vestia um vestidinho de praia azul claro e revelava por baixo o que eu pensara ser um biquíni, mas para meu espanto, não usava nada por baixo.

No meio da minha incredulidade, adivinhei-lhe os pensamentos, pelo seu olhar e pelo seu movimento corporal, era como se me segredasse ao ouvido: “É isto que tu queres?! Mas vais só contentar-te com as vistas…”, e percebi logo que era mesmo só aquilo que iria ter, não tive dúvidas nenhumas em relação a isso, para mim era o suficiente e era uma história que iria recordar para sempre.

As suas pernas abertas revelavam uma vagina rapadinha e bem desenhada. Olhei de soslaio, para a outra ponta da mesa, a mãe alheia ao que se passava debaixo da sua mesa, bebericava um chá acompanhado de torradas.

Os meus olhos denunciavam-me, olhava alternadamente para os seus olhos e para o meio das suas pernas, durante um espaço de tempo que me pareceu infinito. Ela manteve as suas pernas tonificadas e bronzeadas só para mim e tal como as abriu, voltou a fechá-las lentamente, sem nunca ter desviado o seu olhar do meu.

Estava rendido, tinha-me levado de vencida, e sem estar à espera, levantou-se da mesa e saiu sem olhar para trás.

Nas semanas seguintes, continuei a ir ao mesmo café, como ia todos os dias, mas tinha o cuidado de ir sempre à mesma hora, sempre acreditando que aquilo não iria ficar por ali. Aliás, não podia, a química tinha sido perfeita, mas há coisas que só acontecem uma vez na vida!


Fotografia: sofa surfer

3 comentários:

vita disse...

Muito bem!
Prendeu-me do inicio ao fim.
Tem os ingredientes básicos de uma bela história com sensualidade e erotismo.

E concordo totalmento com a ideia de que as mulheres realmente têm poderes que raramente usam ou nem sequer sabem que os têm.
Nada mais fascinante que conseguir com um olhar, jeito, um morder de lábio, posição corporal, encantar um homem, ou seja "reduzi-lo" aos nossos apetites.

Continua, serei leitora atenta.;)

Beijo

A. disse...

Obrigado Vita,
Foste a primeira a comentar neste novíssimo blog.
Só espero que atrás de ti, venham mais comentários teus e de outras pessoas.
Obrigado pela visita e volta sempre!

A.
"E tu, já fantasiaste hoje?"

Anónimo disse...

Deixas mto de ti nos textos...
Andreia