04/09/2009

Um café escaldado


Voltemos de novo ao café, não o do outro post, mas sim um outro também na zona de Lisboa.


Sento-me à mesa sozinho, com o meu caderno (sim, o mesmo do outro post) e com um café. Mexo a colher na chávena diluindo o açúcar no café amargo. Olho em volta, enquanto repito esse gesto monótono. Observo as mesas que se dispõem à minha volta. Continuo a mexer a colher e direcciono o meu olhar duas mesas à frente, um grupo de mulheres conversa animadamente, concluo que são amigas há algum tempo, pela sua linguagem corporal, pelas suas palavras sem formalismo.


Levo a chávena à boca, o café ainda quente escorre pela minha garganta e aprecio aquele momento, o sabor e o cheiro únicos que só um café oferece.

Pouso a chávena e preparo-me para escrever palavras soltas, que mais tarde se unificarão para dar sentido a qualquer coisa. Brinco com os duplos sentidos das palavras que poluem o nosso vocabulário. E constato, sorrindo que a língua portuguesa é muitíssimo rica em duplos sentidos!


Distraído neste exercício puramente de entretenimento, sinto-me observado e olho em frente. É daquela mesa, a tal cheia de mulheres que riem e conversam animadamente sobre as suas vidas quotidianas. Uma morena de olho claro, finta-me, nunca deixando de acompanhar as histórias das suas amigas, ela ri-se, mas o seu sorriso não é para mim, o destino é para as outras, as suas amigas.

Gosto de observar enquanto faço o contacto visual com outra pessoa, reparo na aliança que jaz no seu dedo anelar. Por segundos perco o interesse nela e na sua mesa. Volto ao meu caderno e escrevo a palavra anilha e sorriu, passam-me várias imagens pela cabeça contraditórias, que os duplos significados assim transmitem.

Continuo no mesmo exercício, explorando novas palavras, novas analogias, perco-me em viagens mentais, vou de um extremo ao outro à velocidade da luz, mas divirto-me comigo mesmo, masturbo-me mentalmente enquanto continuo a brincar com as palavras.


Sinto de novo a mesma sensação, a presença de alguém que me observa, só que agora já sei quem me olha e antes de largar as páginas do caderno, olho na sua direcção com um ar desinteressado, a morena de olho claro olha-me fixamente, e eu entro no seu jogo, retribuo o olhar mais intensamente, passo do jogo das palavras de duplos significados para o jogo de olhares e divertimo-nos ambos com isso.

Uma das amigas, pergunta-lhe algo, mas ela está noutra estratosfera, a amiga olha na mesma direcção e encontra-me no plano de fundo. Chama-a de novo e acorda-a daquele transe, ela surpreendida olha para a amiga.

“- Foste apanhada!” – sussurro para mim mesmo.

E dou por terminado aquele jogo.

Volto ao meu caderno, naquele dia tinha vontade de ter múltiplos orgasmos mentais e sentia que ainda estava nas preliminares. Mas, o silêncio que vinha da minha mesa, contrastava com o alarido da outra, a tal duas mesas à frente da minha.

O meu olhar volta a encontrar mais uma vez o seu, que de novo já tinha abandonado o de suas amigas. Resolvi aumentar a fasquia, curioso no que aquilo ia dar, e mostrei o meu dedo anelar, sem aliança. Ela corou levemente, não estaria à espera que apenas uma troca de olhares, levaria a uma troca de insinuações de um desconhecido, duas mesas à frente da dela.

Ela sorriu, desta vez dirigiu a mim, e disfarçadamente, debaixo da mesa tirou a sua aliança, mostrou-me agora o seu dedo anelar despido de qualquer compromisso, enquanto dirigia a sua atenção para as restantes amigas, fingindo estar a seguir a conversa.

Confesso que, fora quaisquer moralismos, gostei da sua atitude, daquela cartada jogada por ela, quando tudo levaria a que abandonasse o jogo. E por momentos, não voltou a olhar na minha direcção. Dirigi de novo a atenção ao meu caderno, e escrevi a palavra “jogo”, e pensei onde iria o seu jogo parar.

Interrompi a minha estratégia quando ouvi as cadeiras a arrastar no chão, ela e as amigas, estavam a sair do café e senti-me desiludido. Acompanho a sua saída observando todos os seus movimentos, ela não olha mais para mim. Chegou à porta e sussurrou qualquer coisa à amiga, a tal que se apercebeu no inicio e volta para trás. Vai na direcção da minha mesa e contorna-a devagar, deixa cair o seu porta-moedas, e algumas moedas espalham-se no chão. Levanto-me para a ajudar e por breves instantes estamos agachados de frente um para o outro, ela olha-me e diz baixinho: “-Segue-me…”, aceno com a cabeça, enquanto lhe entrego as moedas que se tinham espalhado no chão.

“-Obrigado.” – diz-me num tom um pouco mais alto.


Deixo-a ir para a casa de banho, numa zona recuada do café, longe de todos os olhares. Espero por momentos, olhando pelas vidraças e vejo as suas amigas, a caminharem lentamente para longe dali.

Olho em volta e procuro algum olhar mais atento, mas ninguém retribui o seu olhar e dirijo-me também aos fundos. Percorro um pequeno corredor estreito, onde no fundo se encontram as portas das casas de banho. Ela espera no seu interior, e mal passo à porta, ela puxa-me para dentro desta.

Beija-me furiosamente, enquanto me leva, para dentro de uma das divisórias, fecha a porta atrás de si e começa a desabotoar a sua camisa branca e diz-me sem rodeios: “- Fode-me, temos pouco tempo…”

Agarro-a nas ancas e obrigo a rodar, fica de costas para mim, ponho a minha mão por dentro da camisa e sinto um dos seus mamilos duros de tanta tesão, a sua respiração é ofegante, enquanto com uma mão procura o meu pau que se põe duro para ela.

Baixo-lhe as calças ela inclina-se para mim apoiando a mão no autoclismo. O seu rabo empina exibindo as suas nádegas tonificadas, que se juntam sobre o fio dental de cor rosa choque. Contemplo-a por breves instantes e agarro-lhe os cabelos pretos ligeiramente ondulados, e com uma mão toco-lhe dos seus lábios vaginais encharcados, aproximo a minha boca ao seu ouvido e segredo-lhe: “- É assim que gostas?”

“ - Hum, hum” – murmura, entre dentes, dando o seu consentimento.

Puxo o seu cabelo com mais força para junto do meu corpo que se inclina para ela, enquanto molho com saliva dois dedos da minha mão livre e penetro-os dentro dela.

Ela sente o vai e vem dos meus dedos que cada vez mais depressa e ritmadamente a penetram e geme, baixinho.

Sinto as mãos encharcadas do seu suco, ao mesmo tempo que as suas pernas estremecem em espasmos involuntários, ela quase que cai sobre os seus joelhos naquele momento de fraqueza em que vai e volta na sua viagem orgásmica. Recompõe-se ao fim de alguns momentos e vira-se para mim, agachando-se à minha frente e puxa-me as calças para baixo, deixando exposto o meu pau duro.

Agarra-o sem meiguice e começa a acariciá-lo lentamente, abocanha-o deixando-o todo molhado e repete os mesmos movimentos mas cada vez mais velozes. Sente que já estou pronto e senta-me na sanita, de costas monta-me por cima e domina-me em todos os sentidos, acaricio-lhe o clítoris ao ritmo ditado por ela, nos seus movimentos por cima de mim.

Ela pressente o meu orgasmo, e sai de cima de mim, mergulhando os seus lábios no meu pau, sugando-o como se quisesse levar com ela o meu leite guardado dentro de si. Os seus olhos verdes olham-me fixamente e eu sorrio para ela. Quando retomo a compostura já ela apertava a sua camisa e puxava as calças para cima, piscou-me o olho e sorriu, saindo da casa de banho, deixando-me despido a olhar para ela.


Vesti-me e corri atrás dela, para lhe perguntar o nome e combinar um café, à mesma hora noutro dia da semana, mas quando saí do café, ela já se tinha encontrado com as amigas mais à frente no fundo da rua. Regressei ao café e reparei no mesmo ambiente que estava instalado, as mesmas personagens, como se o tempo ali tivesse parado por breves segundos…


Fotografia: Vladimir Borowicz@Devian Art

Tratamento de imagem: sofasurfer

6 comentários:

Vontade de disse...

Fugaz e intenso. Há encontros que nos marcam............... quero.

Sofa Surfer disse...

Ola Vontade de,
obrigado pela tua visita...

Concordo contigo há coisas que marcam, tambem eu quero coisas marcantes...

bjo marcado (em ti),
sofasurfer

ursiηhα disse...

Delicioso, e muito atrativo.
bjs de Mel
ursinha

Sofa Surfer disse...

Ola ursinha,
Bem-vinda a este cantinho. Obrigado pelo teu comentário e visita.

bjos docinhos,
sofasurfer

Cadora disse...

Segui-te....
....cheguei a um momento do texto e recordei tantos momentos em que se perdemos em troca de olhares,em que a alma é penetrada sem pedir licença...avançei e perdi-me mesmo nas tuas palavras quase sem retorno de uma realidade.

Gostei!!!

Beijo

Sofa Surfer disse...

Ola Cadora,
Obrigado pela tua visita!
Continua a avançar neste cantinho, perde-te à vontade nestas e outras fantasias.
Dou-te toda a liberdade para vagueares neste textos!

bjo vagabundo,
sofasurfer